Soneto Do Teu Corpo
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Juro beijar teu corpo sem descanso
Como quem sai sem rumo prá viagem.
Vou te cruzar sem mapa nem bagagem,
Quero inventar a estrada enquanto avanço.
Beijo teus pés, me perco entre teus dedos.
Luzes ao norte, pernas são estradas
Onde meus lábios correm a madrugada
Pra de manhã chegar aos teus segredos.
Como em teus bosques. Bebo nos teus rios.
Entre teus montes, vales escondidos,
Faço fogueiras, choro, canto e danço.
Línguas de lua varrem tua nuca,
Línguas de sol percorrem tuas ruas.
Juro beijar teu corpo sem descanso
Leoni/moska |
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Blue Butterfly às 07h04
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Elegia
(Péricles Cavalcanti e Augusto de Campos,
a partir de um poema de John Donne, poeta do século XVII)

Deixa que minha mão errante adentre
Em cima, em baixo, entre
Minha América, minha terra à vista
Reino de paz se um homem só a conquista
Minha mina preciosa, meu império
Feliz de quem penetre o teu mistério
Liberto-me ficando teu escravo
Onde cai minha mão, meu selo gravo
Nudez total: todo prazer provém do corpo
(Como a alma sem corpo) sem vestes
Como encadernação vistosa
Feita para iletrados, a mulher se enfeita
Mas ela é um livro místico e somente
A alguns a que tal graça se consenteÉ dado lê-la
Eu sou um, quem sabe...
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Blue Butterfly às 21h55
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Because the World is Round, it turns me on
Because the World is Round, ahhh
Because the wind is high, it blows my mind
Because the wind is high, ahhh
Because the sky is blue, it makes me cry
Because the sky is blue, ahhh
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Blue Butterfly às 20h21
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pelo dia da poesia
Amavisse
de Hilda Hilst
Como se te perdesse, assim te quero.
Como se não te visse (favas douradas
Sob um amarelo) assim te apreendo brusco
Inamovível, e te respiro inteiro

Um arco-íris de ar em águas profundas.
Como se tudo o mais me permitisses,
A mim me fotografo nuns portões de ferro
Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima
No dissoluto de toda despedida.
Como se te perdesse nos trens, nas estações
Ou contornando um círculo de águas
Removente ave, assim te somo a mim:
De redes e de anseios inundada.
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Blue Butterfly às 03h45
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Feliz Dia da Mulher
" Esforça-te, poeta, por retê-las todas,
embora sejam poucas as que se detêm.
As fantasias do teu erotismo.
Põe-nas, semi-ocultas, em meio às tuas frases.
Esforça-te, poeta, por guardá-las todas,
quando surgirem no teu cérebro, de noite,
ou no fulgor do meio-dia se mostrarem. "
Konstantinos Kaváfis/no livro POEMAS
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Blue Butterfly às 20h30
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foto byThiago Barros |
"Às vezes dói como um parto, essa coisa de vibrar pelo avesso,
isso de reinventar-se de pé. Rastejo, essa é que é a verdade,
pequena e triste, como só podem ser miseravelmente
pequenas e miseravelmente tristes as sombras derruídas dos insetos,
pelas paredes, pelos meios-fios, pelas calçadas, pelos tampos de móveis cheios de poeira e passado.
Rastejo, ainda que disfarçada sobre minhas patas, levando em mim uma inexplicável vergonha da crença,
da fé, da desmesura, da entrega inteira, uma imensa vergonha de ainda, de apesar de,
de a despeito de, te esperar com meus olhos cheios de sonhos nas mãos."
(TICCIA)
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Blue Butterfly às 08h15
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"Quantos dias perdi você, olhando para mim,
dentro do seu corpo.
Enfiando-me em ti, e tu em mim,
para revogar a dor
de sermos dois - e dois sempre tão longe...
Quanto de toda essa soma delirante
tornou a perda inexorável ?"
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Blue Butterfly às 03h33
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A Noiva Cadáver
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O Vampiro
Charles Baudelaire (tradução Jamil Almansur Haddad )
Tu que, como uma punhalada, Entraste em meu coração triste; Tu que, forte como manada De demônios, louca surgiste,
Para no espírito humilhado Encontrar o leito e o ascendente; - Infame a que eu estou atado Tal como o forçado à corrente,
Como ao baralho o jogador, Como à garrafa o borrachão, Como os vermes a podridão, - Maldita sejas, como for!

Implorei ao punhal veloz Que me concedesse a alforria, Disse após ao veneno atroz Que me amparasse a covardia.
Ah! pobre! o veneno e o punhal isseram-me de ar zombeteiro: "Ninguém te livrará afinal De teu maldito cativeiro.
Ah! imbecil - de teu retiro Se te livrássemos um dia, Teu beijo ressuscitaria O cadáver de teu vampiro!" |
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Blue Butterfly às 06h05
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PIERRÔ APAIXONADO
(Noel Rosa-Heitor dos Prazeres, 1935)
Um pierrô apaixonado
Que vivia só cantando
Por causa de uma colombina
Acabou chorando, acabou chorando

A colombina entrou num butiquim
Bebeu, bebeu, saiu assim, assim
Dizendo: pierrô cacete
Vai tomar sorvete com o arlequim
Um grande amor tem sempre um triste fim
Com o pierrô aconteceu assim
Levando esse grande chute
Foi tomar vermute com amendoim
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Blue Butterfly às 12h00
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mas tinha que respirar ...
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Debaixo dágua tudo era mais bonito
mais azul mais colorido
só faltava respirar
Mas tinha que respirar
Debaixo dágua se formando como um feto
sereno confortável amado completo
sem chão sem teto sem contato com o ar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Debaixo dágua por encanto sem sorriso e sem pranto
sem lamento e sem saber o quanto
esse momento poderia durar
Mas tinha que respirar
Debaixo dágua ficaria para sempre ficaria contente
longe de toda gente para sempre
no fundo do mar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia 
Debaixo dágua protegido salvo fora de perigo
aliviado sem perdão e sem pecado
sem fome sem frio sem medo sem vontade de voltar
Mas tinha que respirar
Debaixo dágua tudo era mais bonito
mais azul mais colorido
só faltava respirar
Mas tinha que respirar
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
Todo dia, todo dia
Todo dia
(Arnaldo Antunes) | |
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Blue Butterfly às 14h32
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"Porque eu já quase te posso tocar,
porque em mim há algo que pressente
o que em ti aos poucos se configura e se avizinha,
porque em tudo há um tanto de felicidade implícita de véspera,
um formigar secreto de ânsia e desejo,
como se aos poucos o mundo estivesse prestes
a apoderar-se da ordem perfeita das coisas.
E eu sorrio e temo, pequena e frágil inseta.
E eu festejo e prenuncio, insana sacerdotisa do incerto.
E eu delinqüesço e calo, fêmea úmida de marés e cios.
E eu preparo língua em lâmina e pétala na forja crua da carne,
na rútila fluidez do sonho."
by TICCIA
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Blue Butterfly às 20h48
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can't you see ...
Every breath you take
Every move you make
Every bond you break
Every step you take
I'll be watching youEvery single Day
Every Word you say
Every game you play
Every night you stay
I'll be watching youOh can't you see
You belong to me
How my poor heart aches with every step you take
Every move you make
Every vow you break
Every smile you fake
Every claim you stake
I'll be watching you
Since you've gone
I've been lost without a trace
I dream at night I can only see your face
I look around but it's you I can't replace
I feel so cold and I long for your embrace
I keep crying baby, baby please
Oh can't you see
You belong to me
How my poor heart aches with every step you take
I'll be watching you
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Blue Butterfly às 17h21
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tinha beijado o papel...

foto by April S. White
Tinha suspirado, tinha beijado o papel devotamente
Era a primeira vez que lhe escreviam aquelas sentimentalidades
E o seu orgulho dilatava-se ao calor amoroso que saia delas
Como um corpo ressequido que se estira num banho tépido
Sentia um acréscimo de estima por si mesma
E parecia-lhe que entrava enfim
Numa existência superiormente interessante
onde cada hora tinha o seu encanto diferente
cada passo conduzia a um êxtase
e a alma se cobria num luxo radioso de sensações.
Arnaldo Antunes
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Blue Butterfly às 00h47
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Disritmia
Eu quero me esconder debaixo
Dessa sua saia prá fugir do mundo
Pretendo também me embrenhar
No emaranhado desses seus cabelos
Preciso transfundir seu sangue
Pro meu coração que é tão vagabundo
Me deixa te trazer um dengo
Prá num cafuné fazer os meus apelos
Eu quero ser exorcizada
Pela água benta desse olhar infindo

Que bom ser fotografada
Mas pelas retinas desses olhos lindos
Me deixe hipnotizada
Prá acabar de vez com essa disritmia
Vem logo, vem me curar
Disritmia
Ney Matogrosso & Pedro Luis E A Parede
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Blue Butterfly às 09h38
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apalpadelas acariciantes
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EU TE AMO
Luiz Alberto Machado
Quanto mais os dias renascem em manhãs ensolaradas ou frias,
mais eu te amo como quem busca na tua fonte a água de todas as sedes
foto by Elke Hesser
E quanto mais as horas se consomem por si só na voracidade do tempo,
mais ratifico a minha confissão de dívidas com o teu amor,
sem o menor arrependimento ou culpa,
como se cumprisse à risca a nossa mútua promessa de escoteiro,
o nosso anímico pacto de sangue
E quanto mais os dias passam loucamente uns nos outros na maior confusão da vida,
mais eu te amo como súdito fiel que guarda a recompensa e a devoção
pela lua-de-mel das nossas mil e uma noites
E quanto mais os meses viram cinzas na página virada que já será jamais,
mais persigo megalômano ao ninho do nosso repasto mútuo,
miss minha, como um marupiara encantado tal qual Aquiles venerando Pentesiléia
e que jamais deixará morrer a vibrante incandescência da musa
E quanto mais os anos revolvam nossas vidas anunciando
que o futuro jamais chegará, mais eu te amo e chegarei sempre ávido e pronto
a decorar de cor e salteado o teu mapa para massagear
com apalpadelas acariciantes e manusear febril
de desejo e paixão o teu corpo de deusa,
minha Vênus de Milo estonteante
E quanto mais de ti me vieres com nuto afirmativo,
mais te amarei derrubando as muralhas dos nossos limites,
cultivando a liberdade da nossa entrega.
E mais me escravizarei ao teu encanto, e mais me fascinarei
pela posse do teu afeto, e mais me extasiarei
com o toque do teu afago e mais te agarrarei a efígie,
o busto, a epiderme, a aura, o gesto, o jeito, a alma,
a pérola de tuas sensações mais desacorrentadas de ti,
o perfume mais inebriante de tua expressão
E quanto mais te achegares ansiando por descobrir
meus mistérios mais ignotos, quanto mais faminta e encantadora,
quanto mais vívida e sedutora, quanto mais possessiva e acasaladora,
mais te amarei e mais e mais estarás
me cativando ao paraíso de teu domínio que me promete
a felicidade além dos céus e a paixão além dos confins de tudo.
© Luiz Alberto Machado. Direitos reservados.
* Este poema faz parte do meu livro "Crônica de amor por ela"
que será lançado em uma edição limitada muito em breve,
reunindo poemas de amor à mulher amada.
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Blue Butterfly às 07h43
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